Ex-aluno salva Colégio Santíssimo Sacramento, que havia sido fechado

Rebecca Loureiro

31 de dezembro de 2022

A notícia do fechamento de uma das escolas mais tradicionais de Maceió causou comoção em outubro desse ano. Por não ter mais condições de continuar, as irmãs sacramentinas decidiram encerrar as atividades do Colégio Santíssimo Sacramento. Com a repercussão, muitos ex-alunos mobilizaram as redes sociais, e um em especial decidiu salvar o colégio.


“Eu sou cria daqui desse colégio. Terminei meus estudos aqui, tenho uma história muito forte dentro do colégio. Faz parte da minha história, da minha formação pessoal e moral. Essa foi uma história [o anúncio do fechamento] que doeu em mim”, é assim que Jorge França começa o seu relato, sobre como se voltou para o colégio 40 anos depois de ter se formado lá.

“Até agora eu fico emocionado quando falo. Não tô acreditando de ter estudado aqui, iniciado minha vida aqui dentro e hoje ser proprietário do colégio que estudei. Resgate da história minha, fica passando um filme na cabeça. Há poucas semanas teve evento dos ex-alunos e reencontrei vários alunos e professores no shopping, foi maravilhoso. A torcida é emocionante”.

Mas a decisão não foi movida só pela emoção. “Com a visão empresarial que a gente tem, enxergamos um grande negócio. Foi aí que tudo começou. Vim aqui conversar com as irmãs sobre o que estava acontecendo, e as elas começaram a relatar as situações. Início da pandemia, evasão de alunos, situações de bolsas integrais que tinham muitas. Foi um conjunto de situações que levaram o colégio a financeiramente não ser viável. Depois fiz o meu estudo de que seria um negócio viável se tomasse algumas providencias administrativas”.

Para manter o diferencial do colégio, ele colocou condições diferentes de um negócio comum. “A proposta foi adquirir o colégio com duas observações muito fortes: Só entraria se o colégio continuasse com o mesmo nome a as irmãs continuassem morando e fazendo o trabalho religioso que sempre fizeram. A essência do colégio iria continuar”.

A primeira medida foi transformar o quadro com decisões difíceis. “Demos uma reformada grande no quadro de funcionários, mudamos 70% dos professores. Demissões tiveram que acontecer, funcionários menos. Tinha funcionários e professores bons, mas desmotivados, sem condições de ofertar o que tem de melhor. Escolher os melhores. Aqueles que queriam vestir a camisa, abraçaram o projeto”.

Em seguida, ele foi em busca de professores renomados no mercado. “Professor Walder, Daniel Camerino, Giuliano, Tainan… Os melhores professores hoje fazem parte do quadro do Colégio Sacramento. São cogitados por todos os colégios grandes e, com o nome do Sacramento, a gente conseguiu, abraçaram o projeto”. Também foi retomado o ensino infantil, depois de dois anos parado e garante que estão se surpreendendo com a procura por matrículas.

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